Instigado por pessoas que acham que Desmond realmente viajou no tempo e não se encontram totalmente satisfeitos com minha Teoria do Interruptor, resolvi escrever uma outra teoria que eu batizei de Teoria do Eterno Retorno.

O que eu tento explicar aqui é como Desmond pode prever o futuro adotando uma posição totalme?•nte libertária, ou seja, onde o live-arbítrio é imperativo e não existe determinismo causal. Monto toda a argumentação e no fim dela tento refutá-la porque ela não tem como explicar (ao contrário da Teoria do Interruptor) certos eventos que acontecem na série e em seguido a salvo novamente com a expicação da sua falha.
Suponha então que Des viajou no tempo quando girou a chave. Ele então é capaz de fazer pequenas previsões sobre o que acontecerá em seguida. Detalhes como o beep do microondas, Charlie tocando na rua, o jogo de futebol na TV, tudo isso lhe parece extremamente familiar pois ele já viu acontecer. Já aí temos um problema. Os eventos que Desmond prevê que acontecerão com Charlie, acontecem DEPOIS da explosão da estação. Como ele poderia prevê-los? Se a explicação para a tal clarividência é a volta o tempo depois de ter tido a experiência com os acontecimentos ela invalida a visão dos fatos que acontecem na ilha DEPOIS que ele gira a chave. Em outras palavras: Se Desmond tem visões do futuro porque ele já viveu esse futuro e voltou ao passado, então depois desse ponto de partida rumo ao passado, ele não pode saber nada!
Ok, mas eu quero acreditar que existem viagens no tempo e quero forçar a teoria a todo custo. Sendo assim, só uma solução é possóvel: o ponto de partida da viagem no tempo tem que ser muito além da explosão da estação. Muito no futuro. só isso permitiria a Des saber o que vai acontecer com Charlie, prever a chegada do Helicóptero, prever a saída de Claire e Aaron da ilha, etc. Quanto tempo no futuro? Pelo menos umas fração e segundo depois da sua ?öLTIMA previsão. Pra efeito do argumento, vamos dizer que seja o último momento da série. Desmond volta ao passado e revive toda sua vida. E de novo, e de novo. Ele está preso nesse loop. Ele é inescapável segundo a própria Mrs. Hawkings. Que benefício isso traz a Des? Provavelmente nenhum. Aos demais? Provavelmente salvará o mundo.
Essa idéia resolve alguns problemas. Primeiro, adota a viagem do tempo como uma teoria válida. Segundo, invalida o determinismo, pois embora Des esteja condenado a viver nesse eterno retorno, da PRIMEIRA VEZ que ele segue o curso da vida, ele tem total liberdade de fazer o que quiser. Terceiro, explica como Mrs. Hawkings pode saber sobre o futuro. Ela é mais uma viajante do tempo, e a Dharma(?) detém essa tecnologia. Quarto, já que a viagem ao passado não acontece quando Des gira a chave, ela se dá no futuro (que Nós não vimos ainda), a teoria explica como Des pode prever fatos que aconteceram DEPOIS que a chave é girada.
Tudo isso parece muito razoável.
As capacidades pré-cognitivas são fruto de experiência (ele as viveu, voltou no tempo, e portanto sabe o que vai acontecer) e não de revelação (ele vê o futuro como consequência do que está acontecendo AGORA e não porque já viveu aqueles fatos). Então como explicar as diversas realidades diferentes que ele prevê?
Por exemplo. Quando ele prevê que Charlie morre vítima da flecha… Segundo a teoria do Eterno Retorno (e da volta no tempo) ele vê o que já viu. Sabe disso porque voltou no tempo. Ora, mas ou ele viu Charlie morrer ou não. Se viu, pode “prever” (na verdade, lembrar) e impedir, se não viu, não pode. Como ele salva Charlie, eu posso afirmar, diante da teoria, que ele, de fato, viu. Mais aí é o paradoxo. Se ele viu Charlie morrer com a flecha atravessada na garganta, como ele pode ter visto Charlie morrendo afogado? Se as capacidades de previão de Des são fruto de experiência ele não pode ter tido as duas experiências durante a sua vida. Afinal, ninguém morre duas vezes*.
A própria teoria explica isso. Desmond só pode ter visto diferentes fatos acontecerem se ele tiver feito REPETIDAS viagens temporais. Ou seja, da primeira vez ele viu Charlie morrer pelo raio, e pode impedir que isso acontecesse quando voltou no tempo. Da segunda ele viu Charlie morrer afogado, e pode impedir isso em uma viagem posterior. E assim sucessivamente, até que não pode mais.
Conclusão. Para que a viagem no tempo (fisica ou “mental”) de Des faça sentido: (ou seja, que a capacidade de ver o futuro seja fruto dessa viagem)
1. Ele tem que ter voltado de um ponto muito posterior ao momento em que ele gira a chave
2. Ele tem que fazer, não uma só, mas muitas e muitas viagens para o passado.

Vou tentar explicar então, passo a passo, as visões que Desmond tem.
Suponha, pra efeito da teoria, que Desmond não tenha capacidade nenhuma de prever o futuro. Ele, assim como eu e você, acompanha o tempo da maneira usual.
(1) Um belo dia de sol ele escuta pedidos de socorro vindos da praia. É Charlie que está se afogando. Apesar dos seus esforços, Charlie morre ali, tentando salvar a Claire.
(2) A vida prossegue e muito tempo depois, por algum motivo que ainda não sabemos. Desmond é transportado para o passado. A viagem lhe é especialmente traumática e ele não consegue reter na memória todos os fatos de sua vida até então. De vez em quando ele tem flashes das coisas que viveu. Não são previsões, mas lembranças. Coisas que J?Å aconteceram. A vida de Des segue o curso que deveria seguir: ele se separa de Penny, entra pro Exercito, cai em desgraça, conhece Libby que lhe empresta o barco, naufraga na Ilha, aperta o botão por 3 anos, tenta fugir, retorna, destrói o hatch (e aí possivelmente tem várias das memórias perdidas recuperadas) e…
(3) …lembra que Charlie vai se afogar! O que ele faz? Salva-o. ?ìtimo. Todos viveriam felizes para sempre, mas acontece que um raio cai na cabeça de Charlie e ele morre.
(4) LEIA (2) e SIGA PARA O (5)
(5) …lembra que Charlie vai se afogar! O que ele faz? Salva-o. Lembra que Charlie vai ser eletrocutado! O que ele faz? Salva-o. Todos viveriam felizes para sempre, mas acontece que Charlie tenta capturar a gaivota, cai no mar, é jogado contra o rochedo e morre.
(6) LEIA (2) e SIGA PARA O (7)
(7) …lembra que Charlie vai se afogar! O que ele faz? Salva-o. Lembra que Charlie vai ser eletrocutado! O que ele faz? Salva-o. Lembra que Charlie vai morrer contra o rochedo! O que ele faz? Salva-o. Todos viveriam felizes para sempre, mas acontece Charlie pisa na armadiha da Francesa, leva uma flecha no pescoço e morre.
(8) LEIA (2) e SIGA PARA O (9)
(9) …lembra que Charlie vai se afogar! O que ele faz? Salva-o. Lembra que Charlie vai ser eletrocutado! O que ele faz? Salva-o. Lembra que Charlie vai morrer contra o rochedo! O que ele faz? Salva-o. Lembra que Charlie vai morrer com uma flecha no pescoço. O que ele faz? Salva-o. Todos viveriam felizes para sempre, mas acontece Charlie vai tentar desativar a estação Looking Glass e morre afogado.
Vem o helicóptero de resgate. Claire, Aaron, Jack e Kate (pelo menos, mas pode ter mais gente) são resgatados e a vida prossegue desse ponto.
(10) LEIA (2) e SIGA PARA O (11)
(11) …lembra que Charlie vai se afogar! O que ele faz? Salva-o. Lembra que Charlie vai ser eletrocutado! O que ele faz? Salva-o. Lembra que Charlie vai morrer contra o rochedo! O que ele faz? Salva-o. Lembra que Charlie vai morrer com uma flecha no pescoço. O que ele faz? Salva-o.
Desmond, sabe que Charlie vai se afogar tentando desativar a estação Looking Glass. Ele explica pra ele a situação informando que isso resultará na salvação de Claire e Aaron que ele vê entrando no helicóptero. Charlie aceita seu destino tenta desativar a estação Looking Glass e morre afogado.
(12) Os pontos (2) e (11) ficam se repetindo. Eternamente.
Essa teoria tem dois pontos muito fortes
A) Acomoda a idéia de viagem no tempo, que é o que MUITA gente quer que seja o que aconteceu.
B) Explica as visões de Desmond de uma maneira simples. São lembranças e não profecias.
Eu, particularmente, prefiro a minha outra teoria, a Teoria do Interruptor. Ambas explicam tudo que aconteceu com Desmond. Na primeira, não há viagem no tempo, na segunda, há. Na primeira Desmond tem visões, capacidade pré-cognitiva. Na segunda ele tem lembranças de coisas que acontecerão no futuro. Na primeira, a causalidade e o determinismo são respeitados. Na segunda, o livre-arbítrio é lei.
Se a “solução” é viagem no tempo necessariamente, eu acredito, tem que haver bem mais que UMA viagem no tempo.
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*Exceto o Mikhail, que é uma pista interessante sobre o mesmo tema.
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